sábado, 30 de janeiro de 2010

Mistério do Planeta

"Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do "stop"
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola"

[Letra Mistério do Planeta, dos Novos Baianos]

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Pensamentos Noturnos

Ele não era o mais bonito, mas também não era o mais feio. Tinha algo de juvenil que tanto a repudiava, porém ela mal havia conversado com ele. Achava-o interessante, excêntrico, nem sabia nem bem o porquê; como tudo que a atraíra deveria ser. Parecia transpirar inteligência e uma certa originalidade. É como se se sentisse em casa ao lado de um desconhecido. Como se ela fosse uma espécie de professor que começa a admirar seu aluno e a alimentar uma forma de platonismo em vez de ser o costumeiro inverso. Apesar das pessoas a advertirem, de como esses sentimentos podiam lhe causar problemas, ela se contentava em deixar os dias inertes passarem por ela com este sonho nos olhos e escorregadios entre seus dedos. E sempre à noite, estes pensamentos a acometiam, sempre. Talvez fosse por isso também que ela se sentia mais tranquila, mais disposta e mais presente entre os seus de verdade. Pois aquele que ela nunca havia trocado mais de uma dúzia de palavras era quem ela mais queria agora.

[Talvez, se a inspiração continuar, eu dê uma continuidade a este conto. Não, definitivamente o meu personagem tão atraente não é um vampiro-que-brilha-na-luz, pessoas. Ele é um simples mortal. só para ratificar.]
O ódio da raiva que come.

O grito que pára lááá...

...Na garganta

A vida transpira marasmo.
E é para isso que nós estamos aqui.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Um título sem título

Bem, hoje vou escrever como uma narrativa simples e sem metáforas. obviamente isto não me fará tratar de coisas íntimas e pessoais via um blog em que qualquer pessoa tem acesso na Internet, óbvio. Mas posso dizer que hoje me sinto de certa forma livre, de certos preconceitos , certas amarras sociais, certas atitudes que antes me fariam me sentir repugnante para mim mesma hoje não me fazem mal. Não porque me tornei um ser escroto, mas porque antes me culpava por qualquer bobagem cometida, caramba! Eu sou humana! Enfim, mas não exatamente sobre este tipo de coisa que pretendo falar. Na verdade não quero me prender a um tema, por isso será um pouco tenso até mesmo dar um título a esta postagem, mas eu ainda assim o farei. Também sei que este blog, A Voz do Bardo, inicialmente, tinha sido criado para apenas receber poesias e não desabafos em prosa, porém nada a tão fixo assim; venho aprendendo isto ao longo dos dias e da vida como um todo.
Sentir-se livre, apesar das contingências proposta pelo mundo/ sociedade; olhar um pôr-do-sol e sentir um prazer absurdo, comer um chocolate, andar pelo meio do mato, correr por aí, ouvir uma boa música, dançar, tocar flauta, sorrir, amar ( não um amor carnal, apesar deste também ser importante) essas e tantas outras cosias têm me feito sentir-me outra pessoa. Apesar dos inúmeros problemas que tenho/ tive, não consigo mais olhar para trás e sentir pena ou remorso; mas sim uma baita satisfação de olhar e poder dizer o quanto aprendi e ver que tenho ainda uma porrada de coisas a viver e aprender. Outra coisa importantíssima; aprender a rir de si mesmo! (muito importante para os signos de terra!)
devo confessar que não me apaixonomuuuuiiito tempo e isto está fazendo uma falta cá dentro... Não importa se é considerado um fator de uma imposição social ou apenas reações químicas de nosso corpo, mas que é bom é bom! Ao longo do tempo, com a cara partida e o coração também, fui construindo minha "muralhazinha" ( que de "zinha" atualmente não tem nada!) e hoje eu percebo que ela assume proporções tão grandiosas a ponto de pensar que este "ato" tão comum entre os humanos ainda vai demorar um bocado para acontecer novamente comigo. Contudo, aguardarei com paciência em meu coração. Ah, só para concluir, apesar de serem 2h e 22min, da manhã e estar com garaganta estupidamente inflamada, eu ainda me sinto com uma felicidade estranha. Eu hein, vai entender essas pessoas...

Sangue da Manhã

Piso a terra úmida de suores
O cheiro de sangue não traduz apenas este passado:
Mostra a cara de minha terra
O riso bobo do passado e a manhã cheia de calor e sol, onde o inverno é apenas um simples expectador.

Adormeças ao meu lado
Para que eu possa velar
como uma antiga esposa,
como uma ave por sua cria,
e como uma mãe por seu filho.

Não te vás tão depressa
ainda há tempo de tomar um vinho
e tocar uma daquelas canções antigas
em que tocavas em teu alaúde de ar...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

...

Hoje ela, mais uma vez, se lembrou de que não existia. Suas mãos trêmulas e ansiosas não tinham mais os contornos de uma viva-alma que em outros tempos havia tido. Seus olhos castanhos e ágeis que antes foram deveras expressivos perambulavam soturnos pelo chão rítmico e anguloso. Suas roupas no varal se moviam por pura inércia do vento. Nada tinha valor, nada tinha vida, nada tinha sentido.
Ela se sentava no chão e acendia um cigarro mecanicamente esperando por algo que nunca chegava e por alguém que tinha prometido jamais deixá la naquele estado. Mas nada mais adiantava, ela já não mais tinha vida em seus olhos, seus cabelos ressequidos pelo tempo pendiam sobre seus ombros pálidos e magros.
Os cheiros prazeirosos ela já não mais se recordava e tampouco de seus sabores ácidos ou mesmo até doces. Sua visão parecia embotada em um sorriso estático, assim como daquelas musas também já há muito esquecidas. Nada a apetecia, nem as viagens, nem os novos rostos, nem as paixões passageiras, não bastava mais ser diferente para atraí-la, nada disso mais a satisfazia como antes.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Chuva

Hoje ouvindo Mercedes Sosa e fumando um cigarro solitário junto à chuva percebi que, após respirar tão profundamente aquele ar e sentir a amplitude daquele cheiro tão prazeroso, eu não era mais eu. Não havia mais Ana, nem minha pele branca, nem meus cabelos escuros, nem meu olfato, nem a noite de céu escuro, nem lua escondida, nem nada: existia a chuva em mim e eu era a chuva. Pura e simples assim. Não tinham mais temores, não havia mais linhas em minhas mãos, nem desejos ocultos ou até mesmo fantasias. Existia a chuva em mim e eu era a chuva. Nem amores, nem nada, nada, nada, nada, nada. nem meus passados, nem minhas angústias, nem minhas dúvidas. eu era a chuva e a chuva era eu.